24.10.08

Cartas e manuscritos de Marcello Caetano durante exílio no Brasil vão a leilão

Vão este sábado a leilão 15 cartas e seis bilhetes manuscritos por Marcello Caetano, quando o antigo presidente do Conselho de Ministros de Portugal estava exilado no Brasil.

Nuno Gonçalves, livreiro e responsável pelo leilão, considera que os manuscritos revelam que Marcelo Caetano, último responsável do regime anterior à reinstauração da democracia em Portugal, em Abril de 1974, acompanhava de perto o que se passava no país.
Marcello Caetano licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa e doutorou-se em 1931; fez concurso para professor extraordinário em 1933 e atingiu a cátedra, na área de Ciências Político-Jurídicas, em 1939.

Inicialmente ligado aos círculos políticos monárquicos católicos do Integralismo Lusitano, começou por apoiar a Ditadura Militar (1926-1928). Após a sua ruptura com o Integralismo, em 1929, ingressou na carreira política nos anos 30, vindo a apoiar o regime autoritário de Salazar. Colaborou na redacção do Estatuto do Trabalho Nacional e da Constituição de 1933, ocupando, a partir da década de 40, alguns dos cargos mais importantes do Estado Novo: ministro das Colónias (1944-1947), presidente da Câmara Corporativa e ministro da Presidência do Conselho de Ministros (1955-1958).

Nesta última data, na sequência de uma crise política interna do regime, viu-se afastado por Salazar da posição de número dois do regime, aceitando porém assumir funções destacadas no partido único União Nacional, como presidente da comissão executiva da UN.

Regressado à vida académica, foi reitor da Universidade de Lisboa de 1959, até se demitir, em 1962, no seguimento da Crise Académica desse ano e da acção da polícia de choque contra os estudantes, na cidade universitária.

Em 1968, quando do afastamento de Salazar, voltou a integrar o Conselho de Estado, de que se houvera demitido, e acabou por ser nomeado Presidente do Conselho de Ministros, cargo de que viria a ser deposto pela Revolução de 25 de Abril de 1974.

No Brasil, onde se exilou com a família, prosseguiu a actividade académica como director do Instituto de Direito Comparado da Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro. Recebeu, também, o título de Professor Honorário da Faculdade de Direito de Osasco, em São Paulo.

Marcelo Caetano morreu aos 74 anos, no dia 26 de Outubro de 1980, vítima de ataque cardíaco.
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