
Em 1965, a estenodactilógrafa
Susette Teixeira estava em Lisboa a trabalhar para a Grão-Pará quando foi convidada a secretariar o ex-presidente brasileiro
Juscelino Kubitschek (JK) no seu curto exílio na capital portuguesa.
Durante quase um ano, entre 1965 e 66, Susette Teixeira ia todas as manhãs ao Hotel Ritz, em Lisboa, onde estava hospedado o ex-presidente brasileiro, então a suportar o início de um exílio forçado depois de ter os seus direitos políticos cassados pelo regime militar, em 1964.
EsSas manhãs, Susette lembra-se bem, eram de uma simplicidade tão encantadora que ela as descreve com um certo saudosismo. "Ele recebia-me na suíte do hotel, descalço e vestido com um roupão azul, inspirado e ansioso para desabafar os problemas que atormentavam a sua alma, por ditar os pensamentos que queria transmitir para o papel e que mais tarde fariam parte das suas memórias no livro que tencionava escrever", relembra.
Nas suas cartas , Kubitschek demonstra ainda mais a afeição que nutria pelos portugueses e seu sincero agradecimento: "Desde que deixámos o Brasil exilados, foi aí, foram os portugueses que nos ofereceram os únicos momentos felizes que tivemos, as únicas emoções agradáveis que pretendo guardar no meu íntimo, com muito carinho. O português é o último povo bom do mundo."
"E estes momentos de alegria, JK teve-os em Lisboa, com o casamento de sua filha Márcia na Igreja de Santa Isabel, em 1964", diz ainda Susette Teixeira.
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