Alípio de Freitas - um português na luta pela democracia no Brasil
Ainda neste semestre, deverá ser lançado pela Editora Record o livro “O assalto ao poder e a sombra da guerra civil no Brasil”, do jornalista e professor Carlos Amorim.Última obra de uma trilogia que começou em 1994, com a publicação, também pela Record, de “Comando Vermelho – a história secreta do crime organizado”, o livro de Carlos Amorim aborda a resistência à ditadura militar instalada no Brasil em 31 Março de 1964.
Nas suas páginas, o leitor fica a conhecer a actividade desenvolvida em prol da democracia pelo ex-padre português Alípio de Freitas (foto) nos anos de chumbo no Brasil. Este militante das Ligas Camponesas, espécie de MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) dos anos 60, foi preso e torturado por se opor ao regime instalado pelos militares há precisamente 45 anos.
"Padre Alípio - diz o autor - tornou-se, por sua postura diante de seus opressores, uma figura respeitadíssima na esquerda brasileira. Um personagem com uma força moral impressionante. Cristão, focado na justiça social, adepto da Teologia da Libertação, tornou-se alvo da violência do regime. Mas – ao mesmo tempo - virou uma espécie de reserva moral dos que aderiram à resistência contra a ditadura."
Alípio de Freitas nasceu em Fevereiro de 1929, em Bragança, Trás-os-Montes. Ainda padre, em São Luís do Maranhão, no Brasil, tem, a partir de 1957, os seus primeiros contactos com o movimento camponês. Daí sairia a ATAM, Associação dos Trabalhadores Agrícolas do Maranhão, que em 1962 contava com mais de 70.000 camponeses organizados.
Professor na Faculdade de Filosofia de S. Luís, manteve intensa actividade no "Jornal do Povo" e no "Jornal do Maranhão". A Cúria reprovou a sua actividade revolucionária e desligou-se da hierarquia da Igreja. A seguir, assumiu o seu lugar nas Ligas Camponesas e foi eleito para a Secretaria Executiva da Frente de Mobilização Popular. O golpe militar de Março de 1964 apanhou-o no Rio. Exilado no México e em Cuba, voltou ao Brasil clandestinamente. Preso em Maio de 1970, só seria libertado em 1979. Desde 1999 é professor convidado da Universidade Lusófona de Lisboa.
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