Investidores portugueses no Brasil permanecem confiantes, apesar da crise
Os empresários portugueses no Brasil acreditam que a maior economia da América Latina vai ultrapassar a crise já em 2010 e que a forte retracção em 2009 é "apenas um compasso de espera", não havendo, por isso, alterações significativas nos planos de investimento.Tudo indica que, dos países emergentes, o Brasil possa sair melhor da crise já em 2010, até porque "tem resistido bem" no decorrer deste ano, suportado pelo "dinamismo e dimensão da procura interna", garantiram os empresários consultados nos últimos dias.
A Brisa, a maior concessionária de estradas portuguesa, garantiu que "a retracção registada no mercado brasileiro já tinha sido antecipada", revelando-se abaixo do esperado."A CCR - Companhia de Concessões Rodoviárias, participada pela Brisa em 18%, está suportada numa sólida base financeira, não tendo sido significativamente afectada", disse fonte da companhia.
Por sua vez, a Balflex, especializada em componentes hidráulicos e industriais, com presença no estado do Paraná desde 1999, tem registado um crescimento médio de 20% ao ano."O início deste ano foi pautado por uma ligeira desaceleração do facturamento no Brasil, que sofreu um quebra de 15% face a igual período de 2008. A previsão de vendas para 2009 (..) aponta para uma facturamento acima dos dois milhões de euros, mais 3,5%", disse Paula Guedes, da direcção financeira da empresa.
Fonte da Portugal Telecom afirmou, por seu turno, que "os investimentos no Brasil são estratégicos e de longo prazo". "A PT confia nos fundamentos da economia brasileira e reforça o seu compromisso no Brasil, que representa, actualmente, perto de 50% do total das receitas do grupo" de telecomunicações português.
O diretor Financeiro da Endutex considerou também que a operação no Brasil "está a correr bem". Se a CCR, bem como a Brisa, em relação a novos projectos, adoptaram uma "maior selectividade na sua análise", já a Endutex destaca que "o investimento inicial na fábrica do Brasil, especializada em calçado e moda, está mais que consolidado", garantiu o gestor Américo Godinho.
Acompanhando a mesma onda positiva, está o grupo Pestana, na área da hotelaria e turismo, com o director Luigi Valle destacando: "Apesar da crise financeira, a operação na América Latina é a que se está a revelar mais lucrativa para o grupo. Detemos nove hotéis no Brasil, um em Buenos Aires e outro em Caracas (Venezuela), e estamos activamente à procura de oportunidades para comprar hotéis no Chile e no Uruguai”."
Também o presidente do grupo hoteleiro Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, afirmou que o grupo, embora esteja fazendo uma gestão mais rigorosa, vai manter os investimentos e continuar com os projectos em carteira.
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