17.8.09

A Roda de Choro de Lisboa - desenvolvendo e recriando a tradição

A Roda de Choro de Lisboa não pára de dar música à cidade. O local é um típico clube de bairro popular lisboeta: tem um bar “atascado”, uma sala de bilhares – numa das mesas está uma viola adormecida; na outra, dois rapazes esgrimem os tacos... O local chama-se Lusitano Clube de Alfama e a razão para tamanha animação é mais um concerto/ baile abrilhantado pela Roda de Choro de Lisboa, grupo ainda sem disco gravado mas com nome feito em centenas de concertos e no passa-palavra dos muitíssimos fãs angariados nos últimos anos.
O concerto/ baile da Roda de Choro de Lisboa dá razão à sua fama: a meio caminho entre o ambiente gaiato e apaixonado das danças tradicionais europeias e o calor e a sensualidade das aulas de kizomba, os casais que dançam esta música deixam-se levar por uma festa que é muito maior e mais alegre do que aquilo que o nome do género que dançam, o choro, poderia fazer supor.
O guitarrista Nuno Gamboa (que toca um violão de... sete cordas) conta que o choro nasceu no Brasil, “por volta de 1850, quando houve uma explosão de músicas populares por todo o mundo: o jazz nos Estados Unidos mas também, no espaço da lusofonia, a morna em Cabo Verde, o fado em Lisboa e o chorinho no Rio de Janeiro.
Estas três têm todas elementos em comum: a modinha e o lundum. No caso do chorinho, tem o lundum e a modinha mais as danças de salão europeias: mazurkas, polkas, valsas...” Gamboa acrescenta um pormenor histórico importante que ajuda a compreender estes cruzamentos musicais no universo lusófono: “Quando o rei português chega ao Rio de Janeiro para aí estabelecer a corte [D. João VI partiu para o Brasil em Novembro de 1807, fugindo das tropas de Napoleão], não foi só ele que chegou ao Brasil: foram 15 mil pessoas, orquestras, músicos com instrumentos como o cavaquinho, o violão ou o bandolim.”
A Roda de Choro de Lisboa é formada por cinco músicos, três portugueses (Nuno Gamboa, Luís Bastos no clarinete e Carlos “Bisnaga” Lopes no acordeão) e dois brasileiros (Múcio Sá no bandolim e cavaquinho e Alexandre “Barriga” Santos nas percussões).
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