"Fados", de Carlos Saura, começa a ser exibido no Brasil
O filme "Fados", do espanhol Carlos Saura, chega aos cinemas brasileiros este fim de semana.O documentário conta com as participações dos brasileiros Caetano Veloso, Chico Buarque e Toni Garrido, da cabo-verdiana Lura, da mexicana Lila Downs e do espanhol Miguel Poveda, que divide a interpretação de "Meu Fado Meu", de Fernando Pessoa, com a fadista portuguesa Mariza. Um dos grandes momentos do filme é uma imagem de Amália Rodrigues cantando o fado acompanhada ao piano.
Carlos Saura não está muito interessado nas controvérsias históricas sobre as origens do fado. O que o realizador espanhol busca é um diálogo entre passado e presente e mostrar como essa música sobrevive mais de dois séculos depois do seu nascimento.
Em "Fados", Saura encerra a trilogia sobre "as três formas de expressão musical urbana", nas palavras do próprio realizador, que inclui "Flamenco" (1995) e "Tango" (1998).

Combinando músicas, dança e direcção coreográfica apurada, assinada pelo próprio cineasta, o documentário é uma colagem sensível de apresentações musicais e coreografias, iluminadas por uma luz, às vezes difusa, outras forte, e imagens que remetem a um Portugal antigo ou contemporâneo, projectadas em grandes telas .
"O fado é, em sua essência, a expressão da cultura nacional portuguesa e tem sobrevivido aos mais diversos períodos da história do país. Essa intersecção entre fado e momento histórico resulta numa das cenas mais bonitas do filme, protagonizada por Chico Buarque de Holanda, que canta uma versão de seu "Fado Tropical", escrita em parceria com Ruy Guerra, cuja letra diz, referindo-se ao Brasil:
"Ai, essa terra vai cumprir seu ideal/ainda vai tornar-se um imenso Portugal", enquanto ao fundo, nas telas, são projetadas imagens do documentário português "As Armas e o Povo" (1975), sobre a Revolução dos Cravos, de 1974.
Saura consegue situar no século XXI um género que sobrevive às transformações de Portugal. É um tipo de música que, como a sua terra natal, firma-se no presente, sem nunca abandonar as raízes do passado. Ou como canta Mariza: "Trago um fado no meu canto/ na minh'alma vem guardado/ vem por dentro do meu espanto/ a procura do meu fado".
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