19.2.10

Portugal e Brasil estudam coperação no domínio aeroespacial

Nos descobrimentos espaciais, Portugal e Brasil poderão ser parceiros. Pelo menos isso é o que propõem pesquisadores da Universidade do Minho, que chegam hoje ao Brasil para apresentar ao governo Lula e também à entidades de pesquisa, uma proposta de intenções.

Antes de seguir para Brasília, os físicos Joaquim Carneiro e Vasco Teixeira, irão a São Carlos, no Estado de São Paulo, a convite do coordenador do Instituto de Estudos Avançados da USP, Sérgio Mascarenhas, também integrante da comissão que se propõe desenvolver tecnologias espaciais entre os dois países. Os cientistas portugueses irão encontrar-se com representantes do Departamento de Engenharia Aeronáutica da USP e da Embrapa.

A chegada a Brasília está prevista para o dia 23 de Fevereiro. Na capital brasileira, está marcado um encontro com o chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do Ministério de Ciência e Tecnologia , José Monserrat Filho e representantes do Ministério da Educação. O objectivo é estabelecer protocolos de colaboração e intercâmbio entre instituições e pesquisadores da Universidade do Minho, USP São Carlos, Embrapa e Ministério da Defesa na área de pesquisa de nanomateriais para energia renovável e revestimentos de componentes aeronáuticos e aeroespaciais.

Em São José dos Campos, também no Estado de São Paulo, os físicos portugueses terão encontros com o coronel Sala Minucci, do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Defesa.

Portugal e Brasil têm acordos de cooperação no sector aeronáutico que incluem investimentos em empresas no sector. Por seu turno, a Embraer é accionista da Indústria Aeronáutica de Portugal S.A. (OGMA), especializada na manutenção de aeronaves, e também tem projectos com vista à construção de unidades industriais. Empresas portuguesas também poderão vir a participar no desenvolvimento do cargueiro militar KC-390 da Embraer e da Força Aérea Brasileira.

Leia na Agência CiênciaWeb

Caixa Geral de Depósitos reforça capital no Brasil

A Caixa Geral de Depósitos (CGD), banco estatal português, aprovou a realização de um aumento de capital no seu banco brasileiro, no valor de R$ 277 milhões. O aumento de capital ocorre menos de um ano após o processo de abertura do Banco Caixa Geral Brasil, vocacionado para a banca de empresas e de investimento.

Em Fevereiro de 2008 foi aberta a nova subsidiária da CGD no Brasil, após uma ausência de quatro anos neste mercado.

"O sucesso imediato desta operação conduziu à deliberação, tomada no início de 2010, de aumento do capital do BCG Brasil de 123 milhões para 400 milhões de reais", informou a CGD no seu relatório de resultados de 2009, ontem divulgado.

Em Dezembro, o jornal "Brasil Económico" havia antecipado a operação, indicando que os planos da CGD no Brasil para 2010 incluem a abertura de uma agência no Rio de Janeiro bem como o lançamento de um fundo de investimento em participações focado no sector de infra-estruturas.

Após iniciar operações no primeiro semestre de 2009, o novo banco da CGD no Brasil, voltado para as companhias de maior dimensão (grandes empresas e segmento "large mid caps", ou empresas de capitalização bolsista média a grande), a entidade financeira lusa já regista um importante contributo do mercado brasileiro.

Leia mais no Portugal Digital

Marcas portuguesas entre as mais valiosas do mundo

Há várias marcas portuguesas entre as 500 mais valiosas do mundo. Um estudo promovido pela Brand Finance coloca nesta lista, cujos seis primeiros lugares cabem a empresas norte-americanas, vários bancos e empresas nacionais.

Existem cinco marcas de bancos portuguesas no top: CGD, BCP, BES, BPI e Banif. A Caixa ocupa a primeira posição entre as marcas nacionais, apesar da descida de posição, da 79ª em 2009 para 101ª em 2010. O Banco assistiu a um aumento em termos de valor de marca, para 1.480 milhões de dólares em 2010 face aos 1.300 milhões em 2009.
A segunda posição no ranking nacional das marcas de bancos mais valiosas no mundo é ocupada pelo BCP, cujo valor de marca cresceu de 694 para 850 milhões de dólares.
Por sua vez, o BES ocupa a terceira posição das marcas nacionais e a 169ª no ranking mundial, com um valor de marca de 727 milhões.
O BPI e o Banif SGPS ocupam a quarta e quinta posições, respectivamente. O BPI apresenta um valor de marca de 388 milhões de dólares e o Banif de 185 milhões.


Banca portuguesa resistente e bem colocada a nível mundial


"A tendência positiva de crescimento registada em 2010, ao nível do valor das marcas portuguesas, deve-se ao reforço da confiança na marca dos bancos portugueses, ao reconhecimento mundial da indústria bancária portuguesa, uma das mais bem organizadas a nível mundial, bem como aos excelentes indicadores de performance, sustentados pelo know-how e estratégias adequadas ao mercado português. A intervenção do Banco de Portugal, do Governo Português e do BCE ao nível do ajustamento dos Planos Estratégicos e Operacional permitiram, ainda, a solvabilidade do sector e o retomar da confiança por parte dos clientes", afirmou o director executivo da Brand Finance Portugal & PALOP, Pedro Carvalhosa.

Leia mais na Agência Financeira

Banif apresenta no Brasil principais produtos de Portugal

O Banco Banif Brasil está divulgando no Brasil o SISAB – Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas, que ocorre anualmente em Lisboa. Neste ano, o SISAB acontece de 22 a 24 de Fevereiro, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. O lançamento em São Paulo ocorreu no dia 3 de Fevereiro, na Casa de Portugal, em São Paulo.

Segundo Carlos Morais, diretor do SISAB, o evento é hoje a maior feira de marcas e produtos portugueses do mundo. Reúne aproximadamente 1.200 compradores, de cerca de 80 países. Ele explicou que evento não é aberto ao público, e a imprensa só pode visitar o local apenas por algumas horas, depois da abertura.

"O objectivo é dar mais privacidade aos empresários que vêm de todas as parte do mundo fazer negócios e conhecer as novidades oferecidas pelas empresas portuguesas", afirmou.

Leia mais no Expresso da Notícia

Encontro luso-brasileiro de direitos do consumidor será em Castelo Branco

A Associação Portuguesa de Direito de Consumo (APDC) escolheu a cidade de Castelo Branco para acolher a primeira edição do Encontro Luso-Brasileiro de Direitos do Consumidor. O evento, agendado para 3 de Março, contará com especialistas dos dois países.

A realizar no auditório do Instituto Politécnico de Castelo Branco, o encontro luso-brasileiro abrirá com uma palestra sobre "Os Direitos do Consumidor em Portugal: a protecção do consumidor de serviços públicos essenciais", a cargo de Cristina Rodrigues de Freitas, da Sociedade Portuguesa de Direito do Consumo. Durante o evento está prevista a presença de dois oradores brasileiros, Marcus Costa Ferreira, de Brasília, e Flávio Vieira de Mello, do Rio de Janeiro.

Leia mais no Portugal Digital

Portugal aumenta em 10% exportações para o Brasil

As empresas portuguesas aumentaram em 10,6% as suas exportações para o mercado brasileiro no início deste ano. As vendas somaram US$ 31,3 milhões em Janeiro, ultrapassando os US$ 28,3 milhões do mesmo mês do ano passado, de acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil (MDIC).

As exportações brasileiras para Portugal, pelo contrário, contraíram em Janeiro, recuando 3,9%, para US$ 51,9 milhões. Dessa forma, as trocas comerciais luso-brasileiras no primeiro mês do ano resultaram num superávit para o Brasil de US$ 20,6 milhões, aquém dos US$ 25,7 milhões do mesmo período do ano passado.

Com uma corrente de comércio entre os dois países de US$ 83,2 milhões em Janeiro, ligeiramente acima do valor registado emno mesmo mês de 2009, as exportações brasileiras cobrem as importações por um fator de 1,66. Em Janeiro de 2009 esse índice era de 1,91. No acumulado de 2009 as exportações brasileiras para Portugal somaram 2,95 vezes o valor das importações de produtos portugueses.

O produto mais exportado de Portugal para o Brasil em janeiro foi o azeite, que correspondeu a mais de 31% das vendas lusas para o mercado brasileiro no primeiro mês do ano. Também no topo, a exportação de peras frescas representou quase 9% e valeu aos produtores lusos uma receita de US$ 2,8 milhões só em Janeiro. O bacalhau, outro importante item da pauta, representou cerca de 10% das exportações portuguesas para o Brasil. O vinho, que costuma ser um dos produtos que Portugal mais vende no Brasil, ficou com pouco mais de 3% do registo de Janeiro.

Do lado das exportações brasileiras para Portugal, as contas mostram um crescimento explosivo da venda de açúcar de cana. As empresas brasileiras enviaram para o mercado português o equivalente a US$ 13,4 milhões em açúcar de cana, 25,8% do total exportado em Janeiro (há um ano tinha sido US$ 4,8 milhões e 8,96% de participação deste item).

A venda de aviões a turbojacto entre duas e sete toneladas rendeu em Janeiro US$ 3,3 milhões às exportações brasileiras e um peso de 6,5% no total. O óleo de soja, com 4,9% de participação, foi o terceiro produto mais vendido pelas empresas brasileiras para Portugal.


Leia mais no Portugal Digital

14.2.10

Mealhada - "o Carnaval mais luso-brasileiro de Portugal”

Carnaval de Ovar - o maior de Portugal

Afinal, quantos carnavais existem em Portugal? Muitos. São muitos, sem serem “necessariamente idênticos em todos os lugares”, nem “absolutamente singulares em cada um deles”, nota Paulo Raposo, antropólogo do Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

Praticamente todas as localidades do país têm o seu próprio carnaval. Mas alguns carnavais são mais efusivos do que os outros. Os de Ovar, Mealhada, Torres Vedras ou Loulé, por exemplo. O que têm em comum? São cidades de pequena e média dimensão onde esta festa é quase um Natal – há cultura, diversão e um retorno económico palpável.

Há algumas décadas, não havia dúvidas: o Carnaval começava no sábado Gordo e na quarta-feira de cinzas já estava, claro, enterrado. Agora, os festejos carnavalescos duram semanas, em crescendo até aos dias de corso. Diríamos que a tradição já não é o que era se Paulo Raposo não alertasse para os “processos históricos dinâmicos, que podem alterar os sentidos, modos, encenações destas manifestações”.

O Carnaval é uma tradição que se tem actualizado, portanto, e que descobriu o seu potencial, tornando-se, por isso, uma imagem de marca cobiçada. De tal modo que, explica, “é evidente que muitas localidades têm investido claramente nas suas festas – prefiro usar o termo “performances culturais” - como recurso patrimonial ‘turistificável’”.

A tradição cultural está lá, mas também está o marketing, para “a afirmação de singularidades identitárias” (e para a rentabilização máxima). Assim, nasceu Torres Vedras, o Carnaval mais português de Portugal, ou a Mealhada, o maior Carnaval luso-brasileiro. O de Ovar é promovido como o maior do país e o de Loulé como o mais antigo.
Carnaval da Mealhada - o mais luso-brasileiro

Este ano, um “azar” atingiu a organização do Carnaval da Mealhada. O rei escolhido, um actor brasileiro, cancelou a sua vinda a Portugal. Mas rei morto, rei posto – outro actor brasileiro, Alexandre Nero, fará as honras.

É tradição na Mealhada desde a primeira telenovela brasileira: em 1978, o actor Jaime Barcelos veio da Gabriela para ser o primeiro rei brasileiro ali e o amor permanece.

A ligação ao Brasil, que começou nos idos de 70 com estudantes brasileiros da vizinha Coimbra, manteve-se e fortaleceu-se. “Este é o carnaval mais luso-brasileiro de Portugal”, declara Carlos Pinheiro, presidente da Associação Comercial e Industrial da Mealhada, “uma referência nacional”.
Carnaval de Torres Vedras - o mais português

Ao longo do tempo, alguns carnavais “abrasileiraram-se”, diz o presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Carlos Miguel. O de Torres Vedras tornou-se “o Carnaval mais português de Portugal”. “Não foi estratégia”, confessa o presidente da câmara, “foi uma consequência”. “Teve o privilégio de manter uma série de características, inclusive o envolvimento muito forte das pessoas, que acabaram por transformar a imagem da cidade e do concelho”.

As características são, a saber: “A crítica e a sátira, local, nacional e internacional”; “o carisma da participação, quem vem está envolvido no corso, não há barreiras”; as matrafonas, por exemplo.
Há 20 anos começou a avalancha de vedetas brasileiras. “Não foi fácil resistir”, reconhece, “mas agora começamos a desfrutar da manutenção da raiz”.
Leia mais no Público

Portugueses trouxeram o Entrudo para o Brasil, dando origem à tradição do Carnaval

Entrudo no Brasil - Gravura de Debret

Oh! abre ala!
Que eu quero passá,
Estrêla d’Arva
do Carnavá!!


Os especialistas afirmam que as origens do Carnaval se perdem na antiguidade greco-romana, tendo chegado ao Brasil por volta de 1855. A cidade do Rio de Janeiro foi a sua porta de entrada, e ali misturou-se com um outro folguedo já bastante popular por essas bandas naquela época, o “Entrudo“, que para aqui fôra trazido pelos portugueses ainda em tempos coloniais.

Segundo Alexandre José De Melo Morais Filho (1884-1919), poeta, prosador e historiógrafo baiano de tempos idos, grande estudioso das tradições e festas populares do Brasil, “para descobrirmos as nascentes do Entrudo é necessário supreendermos os antigos navegadores portugueses nas suas narrativas de viagem da Índia para os Açores, onde esta festa pública, que se celebrava anualmente no Pegu [hoje Tailândia], foi introduzida, passando-se daquele arquipélago para o Brasil com os primitivos colonos“.
É, portanto, no Entrudo que devemos situar as origens do Carnaval no Brasil. A pesar da estranha sonoridade da expressão , é curioso observar o quanto ela, de facto, traduz o significado desse folguedo que adquiriu grande importância como festa popular no Brasil.
Do Latim “introitus“, que significa entrada, acesso, o Entrudo refere-se a entrada na Quaresma, que o sucede na “Quarta-Feira de Cinzas”. O “dia de Entrudo” era equivalente a “dia de Carnaval“. A sisudez e a inaCção habituais na vida de homens e mulheres eram substituídas pela extroversão e alegria. Era como se houvesse uma espécie de determinação para compensar, pelo divertimento, um período de recolhimento e introspecção que viria logo depois com a Quaresma.
Entre o Carnaval e o Entrudo havia grandes diferenças. Como bem relembrou Machado de Assis em um conto curto chamado “Um Dia de Entrudo”, de 1874, em vez de máscaras, que caracterizavam o primeiro e ainda hoje são o seu símbolo predominante, “brilhavam os limões de cheiro, as caçarolas d’água, os banhos, e as várias graças que foram substituídas por outras não sei se melhores se piores”.
Leia mais aqui