18.6.10

José Saramago (1922-2010)


"No fundo, não invento nada, sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e a pôr à vista o que está por baixo. Não é minha culpa se de vez em quando me saem monstros".


O escritor português José Saramago, Prémio Nobel de Literatura /1998, morreu, hoje, aos 87 anos.

Considerado um dos maiores nomes da literatura contemporânea, Saramago criou um dos universos literários mais pessoais e sólidos do século XX , unindo a actividade de escritor com a de crítico social, pronunciando-se sobre os grandes confrontos políticos da nossa época e denunciando injustiças sociais.

O presidente da Associação Portuguesa de Escritores, José Manuel Mendes, afirmou que se perdeu "uma referência luminosa". "Perdemos não apenas o maior escritor português, mas uma referência luminosa de dignidade e grandeza à escala universal", disse.
Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga (Golegã, Ribatejo) no dia 16 de Novembro de 1922. Além de jornalista e escritor, foi desenhador, funcionário da Saúde e da Previdência Social, editor e tradutor.

Publicou o seu primeiro livro, "Terra do Pecado", em 1947, mas a segunda obra só chegou em 1966. A partir de 1976, dedica-se exclusivamente à literatura. Lança, em 1980, "Levantados do Chão" e tem o seu primeiro maior sucesso com "O Memorial do Convento" (1982), que o consagra como um dos maiores autores portugueses, posição confirmada com o lançamento do inventivo "O ano da morte de Ricardo Reis", em que narra os dias finais do heterónimo de um dos pilares da literatura do país, Fernando Pessoa, numa criativa mescla de fatos reais e imaginados.

Em 1995, Saramago foi agraciado com o Prémio Camões, o mais importante prémio da literatura de língua portuguesa.

Saramago era um autor prolífico. Além de romances, publicou diários, contos, peças, crónicas e poemas. Ainda em 2009, lançou mais um livro, "Caim", obra que retoma um personagem bíblico, subvertendo a versão oficial da Igreja Católica, como já fizera em 1991, com o seu "Evangelho segundo Jesus Cristo", causando polémica.

Vai-se a polémica, fica a obra. O crítico Harold Bloom qualificou-o como "o escritor de romances mais dotado de talento dos que seguem com vida, um dos últimos titãs de um género em vias de extinção". A citação consta do prefácio de "O Caderno", assinado pelo italiano Umberto Eco, reproduzido pelo site do jornal espanhol "El País". Neste "Caderno", Saramago reúne texto publicados inicialmente em seu blog. No prefácio, Eco notava que, apesar de já ser amplamente consagrado, Saramago ainda se dispunha a escrever as suas reflexões sobre o mundo na internet e a dialogar com os leitores. No mesmo texto, o pensador italiano lista alguns dos temas presentes na obra de Saramago: os grandes problemas metafísicos, a realidade e a aparência, a natureza e a esperança, e como são as coisas quando não as estamos olhando. Eco arrisca ainda uma entre as muitas definições possíveis para Saramago: um "delicado tecedor de parábolas". 

A obra de Saramago encontra-se amplamente editada no Brasil, onde o escritor português é muito apreciado.

O seu livro "Ensaio sobre a Cegueira" foi adaptado para o cinema em 2008 pelo realizador brasileiro Fernando Meirelles.

No mesmo ano, uma exposição sobre o trabalho de Saramago foi exibida no Brasil, país em que a sua obra é muito apreciada e divulgada. "José Saramago: a consistência dos sonhos" trazia cerca de 500 documentos originais e outros tantos digitalizados, reunidos num formato que, misturando o tradicional e a tecnologia moderna, levavam o visitante a uma agradável e rara viagem pela vida e pela obra do escritor português.

Casado com a jornalista espanhola Pilar del Rio em segundas núpcias, tem uma filha e dois netos do primeiro casamento. Vivia na ilha espanhola de Lanzarote, nas ilhas Canárias, onde tem uma fundação com o seu nome.

Saramago será “sempre uma referência” da cultura nacional - diz Presidente da República

Saramago recebendo o Prémio Nobel de Literatura, em 1998
O Presidente da República recordou hoje José Saramago como um “escritor de projecção mundial”, sublinhando que o Nobel português “será sempre uma figura de referência” da cultura nacional. “Escritor de projecção mundial, justamente galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago será sempre uma figura de referência da nossa cultura”, refere o chefe de Estado, numa mensagem de condolências à família do escritor, enviada à comunicação social.

José Saramago, Nobel da Literatura em 1998, faleceu hoje aos 87 anos na sua casa na ilha espanhola de Lanzarote.

“Em nome dos Portugueses e em meu nome pessoal, presto homenagem à memória de José Saramago, cuja vasta obra literária deve ser lida e conhecida pelas gerações futuras”, sublinha o Presidente, endereçando condolências à família do escritor.

Leia no Público

Ministro da Cultura do Brasil lamenta morte de José Saramago

O ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, divulgou na manhã de hoje uma nota oficial lamentando a morte do escritor português José Saramago.

Aquele responsável refere que José Saramago mantinha relações privilegiadas com o Brasil e esteve presente em diversos eventos literários no país, onde se tornou muito popular, mesmo antes de ter sido galoardoado com o Prémio Nobel.

"A sua perda é recebida com muita tristeza, particularmente pelos que têm apreço pela língua portuguesa e pela sua importância cultural em tantos continentes. O Ministério da Cultura do Brasil soma-se aos que lamentam e manifestam a sua dor pela perda desse grande escritor" - diz a nota.

Governo Português decreta dois dias de luto pela morte de José Saramago

O Conselho de Ministros de Portugal, reunido hoje extraordinariamente na Presidência do Conselho, aprovou o Decreto que declara luto nacional, nos dias 19 e 20 de Junho de 2010, pela morte do escritor José Saramago

José Saramago foi o autor português contemporâneo mais traduzido, com livros editados em todo o Mundo, tendo recebido vários prémios literários e graus honoríficos, nacionais e internacionais, entre os quais o prémio Camões, em 1995, e o prémio Nobel da Literatura, em 1998.
Considerado o principal responsável pelo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa, José Saramago foi romancista, poeta, dramaturgo, cronista, crítico literário, tradutor, jornalista e cidadão de reconhecida consciência política e cívica.

A singularidade da sua criação literária e a sua vasta obra enobrecem a língua e a cultura portuguesa.
Assim, em expressão de justa homenagem, entende o Governo declarar o luto nacional nos dias 19 e 20 de Junho de 2010.

Igreja Católica portuguesa emite voto de pesar pela morte de José Saramago

A Igreja Católica portuguesa lamentou nesta sexta-feira (18) a morte de José Saramago. O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Portuguesa, Padre José Tolentino, e o porta-voz da conferência, Padre Manuel Morujão, disseram que o país perde um "expoente" e que a igreja perde um crítico com o qual soube dialogar constantemente. "Seja como for, o diálogo nunca foi cortado e sempre foi possível", disse o padre Manuel Morujão.


A relação entre a hierarquia católica e o escritor foi marcada por momentos de debates públicos e declarações polêmicas, motivados pela crítica ferrenha de Saramago à instituição e pela abordagem de temas bíblicos em obras como "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", de 1991, e "Caim", de 2009.
As últimas arestas entre católicos e o escritor foram aparadas no lançamento de Caim, obra na qual Saramago faz uma crítica à Bíblia e à visão de Deus expressa no Antigo Testamento. Na época do lançamento, padre Jose Tolentino participou de um debate com o escritor.
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Para ele, as declarações críticas de Saramago à Bíblia foram "muito mais radicais que o livro". Em seus comentários sobre o romance, Saramago disse que o Deus da Bíblia era pessoal e vingativo. "Sem a Bíblia, seríamos outras pessoas, seguramente melhores", afirmou o escritor.
O padre, que é professor de exegêse bíblica, poeta e ensaista, diz que em "O Evangelho Segundo Jeus Cristo" o escritor manteve diálogo maior com os temas religiosos do que na útlima obra. "Ele olha para Jesus, nem tanto como uma chave para o divino, mas como uma chave para o humano. Nesse sentido, para um teólogo, Saramago é um autor incómodo e fascinante".

O professor ressaltou ainda que não há nenhum outro escritor que toma a Bíblia de forma tão sistemática."Saramago estava apaixonado pelo texto bíblico. Seu estilo tem uma musicalidade bíblica." O padre diz que fez essa afirmação para o escritor durante a conversa e que ele acenou com um sorriso de concordância. “Ele é talvez o mais bíblico dos grandes autores contemporâneos e, ao mesmo tempo, o mais antibíblico”, afirmou.


Leia mais no G1

Nota da Igreja Católica Portuguesa


VOTO DE PESAR PELA MORTE DE JOSÉ SARAMAGO


O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura expressa o seu pesar na morte de José Saramago, grande criador da língua portuguesa e expoente da nossa cultura. José Saramago ampliou o inestimável património que a literatura representa, capaz de espelhar profundamente a condição humana nas suas buscas, incertezas e vislumbres.

Como é público, o cristianismo e o texto bíblico interessaram muito ao autor como objecto para a sua livre recriação literária. Há uma exigência e beleza nessa aproximação que gostaríamos de sublinhar. O único lamento é que ela nem sempre fosse levada mais longe, e de forma mais desprendida de balizamentos ideológicos. Mas a vivacidade do debate que a sua importante obra instaura, em nada diminui o dever da cordialidade de um encontro cultural que, acreditamos, só pode ser gerado na abertura e na diferença.

Lisboa, 18 de Junho de 2010

De como a Personagem foi Mestre e o Autor Aprendiz, por José Saramago


Discurso perante a Real Academia Sueca: "De como a Personagem Foi Mestre e o Autor Seu Aprendiz"


Por JOSÉ SARAMAGO
Segunda-feira, 7 de Dezembro de 1998

"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.

Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa.
Ainda que fossem gente de bom carácter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável. Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que accionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado.

E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira". Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira. Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava...
No meio da paz nocturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direcção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia.

Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?". Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas.

Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem.

Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranquilizava: "Não faças caso, em sonhos não há firmeza". Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos.
Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada.

Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprias filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.
Muitos anos depois, escrevendo pela primeira vez sobre este meu avô Jerónimo e esta minha avó Josefa (faltou-me dizer que ela tinha sido, não dizer de quantos a conheceram quando rapariga, de uma formosura invulgar), tive consciência de que estava a transformar as pessoas comuns que eles haviam sido em personagens literárias e que essa era, provavelmente, a maneira de não os esquecer, desenhando e tornando a desenhar os seus rostos com o lápis sempre cambiante da recordação, colorindo e iluminando a monotonia de um quotidiano baço e sem horizontes, como quem vai recriando, por cima do instável mapa da memória, a irrealidade sobrenatural do país em que decidiu passar a viver.

A mesma atitude de espírito que, depois de haver evocado a fascinante e enigmática figura de um certo bisavô berbere, me levaria a descrever mais ou menos nestes termos um velho retrato (hoje já com quase oitenta anos) onde os meus pais aparecem: "Estão os dois de pé, belos e jovens, de frente para o fotógrafo, mostrando no rosto uma expressão de solene gravidade que é talvez temor diante da câmara, no instante em que a objectiva vai fixar, de um e de outro, a imagem que nunca mais tornarão a ter, porque o dia seguinte será implacavelmente outro dia...

Minha mãe apoia o cotovelo direito numa alta coluna e segura na mão esquerda, caída ao longo do corpo, uma flor. Meu pai passa o braço por trás das costas de minha mãe e a sua mão calosa aparece sobre o ombro dela como uma asa. Ambos pisam acanhados um tapete de ramagens. A tela que serve de fundo postiço ao retrato mostra umas difusas e incongruentes arquiteturas neoclássicas".

E terminava: "Um dia tinha de chegar em que contaria estas coisas. Nada disto tem importância, a não ser para mim. Um avô berbere, vindo do Norte de África, um outro avô pastor de porcos, uma avó maravilhosamente bela, uns pais graves e formosos, uma flor num retrato - que outra genealogia pode importar-me? a que melhor árvore me encontraria?"
José Saramago

Conselheiro de Impresa da Embaixada de Portugal distinguido em Brasília

O conselheiro de Imprensa da Embaixada de Portugal no Brasil, jornalista Carlos Fino, foi a personalidade distinguida, fora concurso, pelo Prémio Engenho de Comunicação - o galardão que premeia anualmente a comunicação social de Brasília.

Carlos Fino foi homenageado pela promotora do Prémio, jornalista Kátia Cubel, e a distinção entregue pelo secretário da Cultura do Distrito Federal, Sivestre Gorgulho.

Perante uma assistência de mais de mil pessoas, entre jornalistas, empresários de media, professores universitários, personalidades do mundo da política e da vida social de Brasília, que acorreram ao evento, realizado esta semana nos jardins da Embaixada de Portugal (ver notícia mais abaixo neste blog), Kátia Cubel referiu o trabalho que vem sendo realizado ao longo dos últimos anos por Carlos Fino no sentido de fomentar as relações luso-brasileiras na área da media.

Silvestre Gorgulho acentuou, por seu turno, o trabalho de divulgação do homenageado, referindo, em particular, a sua colaboração na série de programas "Brasil, Portugal - Lá e Cá", uma co-produção luso-brasileira entre a TV Cultura, de São Paulo e a RTP2, de Lisboa.
Agradecendo a distinção, Carlos Fino lembrou que a realização simultânea, em 2012, do Ano de Portugal no Brasil e do Ano do Brasil em Portugal constituirá ensejo para uma cooperação reforçada entre os dois países, designadamente na área da comunicação social.

17.6.10

Elza Soares canta e encanta na Embaixada de Portugal em Brasília

A consagrada cantora e compositora brasileira Elza Soares foi ontem a grande estrela do espectáculo com que culminou o Prémio Engenho de Comunicação 2010, que trouxe aos jardins da Embaixada de Portugal em Brasília para cima de mil pessoas, entre jornalistas e dirigentes dos principais órgãos de comunicação do Brasil, personalidades dos meios políticos, artísticos e sociais.
O embaixador João Salgueiro saudou os presentes frisando que o evento - que se realizou pela quinta vez em sete edições na Embaixada de Portugal - já se tornou "mais uma boa tradição luso-brasileira". O chefe da diplomacia lusa no Brasil desafiou os organizadores a procurarem parcerias com entidades portuguesas, lembrando que um bom ensejo para isso será a realização simultânea, em 2012, do Ano de Portugal no Brasil e do Ano do Brasil em Portugal.
Entre outras individualidades, estiveram presentes os juízes do Supremo Tribunal de Justiça Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes e Marco Aurélio de Melo, o ex-ministro dos Desportos e actual pré-candidato a Governador de Brasília Agnelo Queiroz, o deputado federal Aldo Rebelo e o juiz do Tribunal de Contas da União, José Múcio.
Indicada várias vezes ao GRAMMY Awards e eleita pela BBC de Londres "a cantora do milénio",
Elza Soares teve actuação brilhante, com perfeito domínio de voz, misturando diversos ritmos, do samba à música electrónica e ao jazz, que fizeram vibrar o numeroso público presente.
Lançado pela jornalista Kátia Cubel, o Prémio Engenho de Comunicação – O Dia em que o Jornalista Vira Notícia - foi criado em 2004 para destacar as melhores iniciativas e os mais prestigiosos profissionais da Imprensa na capital do Brasil.

Tese sobre investimento português no Brasil disponibilizada na Internet

A tese de doutoramento de Tito Ferreira de Carvalho, intitulada "O Investimento Português no Brasil e os Desafios do Futuro", já pode ser livremente consultada na Internet, a partir da rede de pesquisa da Fundação Luso-Brasileira (FLB).

A tese de Tito Ferreira de Carvalho, concluída e defendida em dezembro último, esteve na base da publicação regular de vários artigos do professor universitário português no Portugal Digital, onde também assinou, já este ano, uma série de análises sobre a Cimpor e o interesse de vários grupos brasileiros pela cimenteira lusa.
Além de Tito Ferreira de Carvalho, a rede de pesquisa da FLB (acessível a partir de http://www.fund-luso-brasileira.org/) inclui investigadores como Joaquim Ramos Silva, Rómulo Alexandre Soares, Ana Rocha Ipiranga, Alexandre Zourabichvili, Erick Soares de Sousa, entre outros.
A rede de pesquisa é um espaço idealizado pelo Conselho das Câmaras de Comércio Portuguesas no Brasil e pela FLB, Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (de Lisboa), Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil - São Paulo, ISEG e ISCSP. A rede de pesquisa tem ainda o apoio do Portugal Digital e da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

Grande Degustação de Vinhos Portugueses na Embaixada de Portugal em Brasília

Para cima de uma centena de produtores, importadores, chefs e especialistas, além de numeroso público, acorreram na passada segunda-feira, dia 14 de Junho, à Embaixada de Portugal em Brasília para uma Grande Degustação de Vinhos Portugueses.
Promovida pela ViniPortugal, a prova - a que esteve presente o embaixador João Salgueiro, que se inteirou demoradamente junto de cada produtor nacional das últimas novidades do mercado e dos esforços de exportação para o Brasil - deu a conhecer o que de melhor se produz de norte a sul do país, entre clássicos e novos produtos.

O jornal Correio Braziliense , o mais importante da capital do Brasil, dedica ao evento, na sua edição de hoje, uma página completa do seu caderno de Gastronomia, acentuando que a produção vinícola portuguesa de qualidade vai muito "Além do Porto", expressão que serve de título à matéria da jornalista Tatatiana Sabadini.É desse artigo que extraímos os parágrafos que se seguem:

"Os velhos barris e as garrafas escuras e sóbrias ficaram para trás. Nos últimos anos, Portugal tem mostrado suas uvas típicas e únicas e produzido vinhos mais novos e encorpados. Jovens empreendedores, mesmo atentos à tradição, investiram em tecnologia, as vinícolas se especializaram e os rótulos ganharam um design moderno.

Buscando mercados internacionais, entre os quais o Brasil, os produtores daquele país apostam em boas safras e novas ideias, como a caipirinha de vinho do Porto. Para os apreciadores da bebida, basta experimentar e escolher o favorito entre as várias opções. No começo desta semana, 35 produtores se reuniram no charmoso jardim da Embaixada de Portugal em Brasília para mostrar o que os lusitanos têm de melhor. Consumidores, chefs e importadores tiveram a oportunidade de degustar clássicos e novidades da indústria de vinho portuguesa.

“Trouxemos rótulos produzidos de norte a sul do país. Queremos divulgar nossa diversidade. Temos tintos, brancos, espumantes e vinhos de sobremesa, tudo de alta qualidade”, afirma Sônia Fernandes, diretora da Associação Interprofissional para a Promoção dos Vinhos Portugueses (Viniportugal) no Brasil. "
Fotos: Hermínio Oliveira

16.6.10

Prémio Engenho - Grande Festa da Media de Brasília, Hoje na Embaixada de Portugal

A Embaixada de Portugal no Brasil acolhe hoje, pela 5ª vez, o Prémio Engenho de Comunicação -
iniciativa que distingue profissionais e órgãos de media que produzem notícias a partir de Brasília.

O Prémio Engenho de Comunicação – O Dia em que o Jornalista Vira Notícia foi criado em 2004 para destacar as melhores iniciativas e os melhores profissionais da Imprensa na capital do Brasil.

A cerimónia de entrega dos prémios transformou-se, com o decorrer dos anos, na Grande Festa Anual da Media de Brasília, estando inscrita no calendário oficial de eventos do Distrito Federal.

O encontro reúne centenas de profissionais de todos os grandes órgãos de comunicação social do país, além de numerosas personalidades dos meios políticos, sociais, académicos e empresariais.

Este ano, integraram o júri o ministro do Supremo Tribunal Federal - STF, Marco Aurélio Mello; o ministro do Tribunal de Contas da União - TCU, José Múcio Monteiro; a presidente da Associação Comercial do DF, Danielle Moreira; o presidente da Ordem dos Advogados de Brasília-DF, Francisco Caputo, e o professor de Comunicação da Universidade de Brasília, Sérgio de Sá.

Veja a lista completa dos finalistas, aqui.

Deltaexpresso alarga rede no Recife

A rede portuguesa Deltaexpresso abre hoje uma nova franquia no Shopping Tacaruna, na zona Norte do Recife, no Estado de Pernambuco. A loja é a segunda aberta pela rede este ano no Brasil.

A Eurobrasil Distribuidora, franqueadora de rede Deltaexpresso e representante da Delta Cafés no Brasil, prevê a abertura de 10 novas lojas no Brasil até o final do ano.

Segundo João Barbosa, director da Eurobrasil Distribuidora, a ideia é expandir a rede Deltaexpresso para outros Estados brasileiros. "Estamos em fase de expansão pelo Nordeste com planos de chegar em breve ao Sul e Sudeste", indicou João Barbosa, em comunicado.

A loja da Deltaexpresso no Shopping Tacaruna tem projecto do arquiteto Humberto Zirpoli com o novo conceito da marca: "coffee convenience store", um espaço onde será possível degustar todo o cardápio Deltaexpresso, os "blends" Delta Cafés, comprar produtos para degustar em casa, acessórios, máquinas e toda a linha Delta Q.

Criada em 2004, a rede Deltaexpresso tem lojas nos shoppings Recife, Plaza e no Recife Antigo e agora chega ao Shopping Tacaruna.


15.6.10

Mundial2010: Portugal empata 0-0 com a Costa do Marfim

Portugal e Costa do Marfim empataram hoje (0-0) na ambição de chegar aos "oitavos" do Mundial de futebol de 2010, numa abertura do Grupo G aquém das expetativas.

Na anunciada "final" entre os dois rivais - o Brasil, que joga com a Coreia do Norte, é claro favorito - as equipas revelaram durante demasiado tempo (primeira parte) mais receio de perder do que ambição e determinação para ganhar.

Um dos mais aguardados espetáculos da primeira jornada ficou, assim, prejudicado, pois os conjuntos têm potencial para bem mais e melhor: a Portugal exigia-se paciência no ataque, mas a verdade é que a teve mais a defender, sentindo muitos problemas para criar desequilíbrios na frente.

A Costa do Marfim, de Sven-Goran Erikson, revelou-se um poderoso oponente, à base de jogadores de grande compleição física e dotados de uma técnica avançada, que lhes permitiu assustar mais vezes e esconder a bola dos "navegadores".

Para a estreia, Carlos Queiroz apostou no habitual sistema "4x3x3" com uma nova "asa" esquerda composta por Danny e Fábio Coentrão, que "sentaram" no banco os habituais titulares Simão e Duda, respetivamente.

Na Costa do Marfim, Erikson, que fez a equipa alinhar em modelo semelhante, destacou-se a ausência de Didier Drogba, a recuperar de uma lesão no braço direito.

Quando duas equipas revelam demasiado respeito pelo adversário, o produto final ressente-se: na primeira parte sobrou luta, longe das áreas, mas faltou a emoção e o espetáculo.

Portugal apenas se "mostrou" uma vez, numa "bomba" de Cristiano Ronaldo (11 minutos), a 30 metros, devolvida pelo poste direito, mas, depois de controlar, foi desaparecendo progressivamente, não voltando a incomodar.

Inicialmente fechada, a Costa do Marfim foi-se libertando - sem nunca perder rigor e agressividade defensivas - e chegou mais vezes perto da baliza lusa, começando em remates de Siaka Tiene (14 minutos) e Ismael Tiote (17), que erram o alvo.

Os pupilos de Queiroz corriam mais quilómetros, mas já não conseguiam segurar a bola, nem aproximar-se da área: as equipas eram muito rígidas e não concediam espaços.

Tapados ao intervalo os muitos buracos na relva, foi a Costa do Marfim a surgir mais perigosa com Gervinho (47 minutos) a obrigar Eduardo a defesa para canto, na sequência do qual Tiote, sozinho na área, foi incapaz de cabecear para o golo. Gervinho assustou mais duas vezes, mas sem sucesso.

Portugal também parecia mais rápido e afoito, mas foi Eduardo novamente atento a segurar remate de Kalou (54 minutos), à entrada da área: no minuto seguinte, Simão rendeu Danny (55) e Tiago ocupou o lugar de Deco (62), mas foi a entrada de Drogba (66) que levou o estádio ao rubro.

O jogo estava mais bonito, partido e aberto, Portugal ia chegando à área, mas continuava com problemas para criar perigo, limitando-se a remates inconsequentes de Raul Meireles (71 e 78 minutos) e a um livre de Cristiano Ronaldo (80).

No fim, Portugal, já com o estreante Ruben Amorim no lugar de Raul Meireles, tremeu, principalmente quando Drogba surgiu em posição privilegiada para marcar, mas fez o impensável e, em esforço, acabou por chutar para o lado.


O selecionador português de futebol, Carlos Queiroz, considerou "justo" o empate (0-0) com a Costa do Marfim, na estreia lusa no Mundial da África do Sul.

Em entrevista rápida no final do jogo, em Port Elizabeth, Queiroz disse que "Portugal assumiu sempre o jogo", enquanto a "Costa do Marfim só tentou defender e sair em contra-ataque".

"O empate acaba por ser justo. Portugal dominou e controlou o jogo e foi a equipa que apresentou mais vontade de ganhar. É um resultado justo", disse Queiroz.



FICHA TÉCNICA:
Portugal 0 x 0 Costa do Marfim
Portugal - Eduardo; Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Bruno Alves e Fábio Coentrão; Pedro Mendes, Raúl Meireles (Ruben Amorim) e Deco (Tiago); Danny (Simão Sabrosa), Cristiano Ronaldo, e Liedson. Técnico - Carlos Queiroz.
Árbitro - Jorge Larrionda (URU).
Costa do Marfim - Barry; Demel, Kolo Touré, Zokora e Tiéné; Yaya Touré, Tiote e Eboué (Romaric); Kalou (Drogba), Dindane e Gervinho (Keita). Técnico - Sven Goran Eriksson.
Cartões amarelos - Zokora, Demel e Cristiano Ronaldo.
Local - Estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth (África do Sul).
Público: 37.034 espectadores.



Leia mais na Agência Lusa, no DN e no Estado de São Paulo

Porto de Sines recebe delegação do Rio de Janeiro

O Porto de Sines, no sul de Portugal, um dos maiores portos de águas profundas da União Europeia, recebe amanhã, dia 16 de Junho, uma delegação da Companhia das Docas do Rio de Janeiro. Esta visita visa o estreitamento da relação entre os dois portos.

Em comunicado, o Porto de Sines, afirma que os objectivos deste encontro são “ reforçar e aprofundar a relação entre os dois portos, o que no futuro se poderá traduzir numa maior cooperação, com vista ao aumento do tráfego de mercadorias entre os dois países”.
Desta forma, Sines, porta atlântica da Europa, “aposta na criação de melhores condições com vista a incentivar ainda mais as relações comerciais entre Portugal e o Brasil”.
Leia na Publituris

Universidade Lusófona e Unicenid da Bahia unem esforços


A integração das actividades académicas da Universidade Lusófona, de Lisboa, e da Unicenid-Faculdade de Ciências Gerenciais da Bahia será assinalada, na próxima quinta-feira (17), em Salvador, com uma cerimónia no Hospital Português.

Durante o evento, o embaixador de Portugal no Brasil, João Salgueiro, proferirá a palestra "Portugal e o Brasil no Mundo Contemporâneo - uma perspectiva lusófona".

A cerimónia conta com o apoio do Consulado Geral de Portugal na Bahia, Gabinete Português de Apoio e Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil-Bahia.

Seminário ajudará empresários portugueses a exportar para o Brasil

Sabe o que fazer para exportar para o Brasil? É para responder a esta questão e às dúvidas que os empresários portugueses possam ter que a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB) promoverá em Lisboa, na próxima semana, o seminário "Export 2 Brasil", que reunirá especialistas de vários sectores.

As exportações portuguesas para o mercado brasileiro registam este ano um crescimento de dois dígitos, superior, inclusive, ao das exportações brasileiras para Portugal, o que está a contribuir para desagravar o défice da balança comercial com o Brasil.

Mas o perfil das vendas para o Brasil continua a assentar em produtos que há vários anos dominam a pauta, como o azeite, o bacalhau e o vinho.

O evento da CCILB terá lugar no dia 23 no hotel Altis Belém, na capital portuguesa.

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14.6.10

Orquestra Juvenil da Bahia apresenta-se em Portugal em Julho

No âmbito de uma deslocação à Europa, a Orquestra Juvenil da Bahia (YOBA – Youth Orchestra of Bahia) apresenta-se a 9 de Julho no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O local do concerto não poderia ser mais emblemático: o CCB fica em frente ao Monumento das Descobertas, local de onde partiram as caravelas rumo ao descobrimento do Brasil. E para onde o Brasil agora volta, representado pela 1ª orquestra jovem da Bahia.

Dirigida por Ricardo Castro, a Orquestra desloca a Portugal cem dos melhores integrantes das "Orquestras Neojibá - Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia". Criado em 2007 como um dos programas prioritários do Governo do Estado da Bahia, o Neojibá tem por objectivo alcançar a excelência e a integração social por meio da prática colectiva da música.

De regresso ao Brasil, o grupo deverá ainda actuar em Belo Horizonte, São Paulo, assim como participar pela segunda vez no Festival Internacional de Inverno de Campos de Jordão.
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Moda de Ana Salazar encanta em São Paulo

A estilista portuguesa Ana Salazar regressou ao Brasil para marcar presença numa das mais importantes plataformas de moda da actualidade, a Semana de Moda de São Paulo (São Paulo Fashion Week), que tem estado a decorrer desde quarta-feira e que termina hoje.

A criadora nacional desfilou a sua mais recente colecção de Primavera/Verão 2011 Work in Progress, no Parque do Ibirapuera, na Fundação Bienal, no final de sábado, com apoio do Portugal Fashion, perante uma sala repleta de 800 pessoas.Um desfile com múltiplas ideias que foi muito bem acolhido.

"Nesta colecção recorri muito aos tecidos tecnológicos para atingir um efeito específico, que penso ter conseguido. Brinco com as transparências, sobreposições, com as construções e adaptações. Tudo joga para enriquecer as produções", afirma Ana Salazar. Este trabalho é o espelho do estilo a que a criadora já nos habituou ao longo de décadas de trabalho. O preto dá o mote, as rendas o lado irreverente e a assimetria a sensação de um trabalho em construção (work in progress).
Ana Salazar revolucionou a moda portuguesa. Nos anos 70 surge com novos conceitos estéticos no universo do pronto-a- -vestir nacional, que dava a conhecer através de desfiles, à semelhança do que se fazia lá fora. Em 1978, Ana Salazar cria a marca com o seu nome, cujas peças passam a ser comercializadas em lojas próprias em Portugal e no estrangeiro. O sucesso internacional seria, aliás, rapidamente consolidado com a abertura, em 1985, de uma loja/showroom em Paris.

Em 2009, um grupo de investidores entrou no capital do grupo Ana Salazar, com o objectivo de expandir a marca que agora de novo se projecta com êxito no Brasil.

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Exportações de Portugal para o Brasil crescem 78%

De Janeiro a Maio deste ano, Portugal exportou para o Brasil mais de US$ 218 milhões, um valor que ultrapassa em 78% o alcançado no período homólogo de 2009, de acordo com os números do governo brasileiro.

Em Maio as empresas portuguesas exportaram para o Brasil o equivalente a US$ 51,5 milhões, que é o segundo melhor registo mensal deste ano, apenas atrás dos US$ 57,8 milhões de Março.

Com os fluxos a crescerem, a corrente de comércio luso-brasileira soma agora US$ 816,4 milhões.

Embora haja ainda um saldo favorável ao Brasil de mais de US$ 378 milhões, a verdade é que o desequilíbrio da balança comercial luso-brasileira se tem vindo a esbater. Em 2007 as exportações do Brasil para Portugal eram cinco vezes as suas importações do país-irmão. O índice de cobertura caiu para cerca de 2,9 vezes nos dois anos seguintes. Nos primeiros cinco meses de 2010 esse índice está em 2,7.

Por seu turno, as exportações brasileiras para o mercado português atingiram em Maio o melhor registo mensal dos últimos dois anos, de acordo com os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

No mês passado, revelam as estatísticas do MDIC, o Brasil facturou US$ 213,6 milhões com a expedição de produtos para Portugal. As exportações de maio representam um crescimento de 168% face ao mês anterior e também ultrapassam os US$ 127,2 milhões de maio de 2009.

No último mês o Brasil exportou mais para Portugal do que em qualquer mês do ano passado, sendo preciso recuar a maio de 2008 para encontrar uma cifra de exportações brasileiras para Portugal mais alta (US$ 348,7 milhões).

Com o registo de Maio, o Brasil acumula nos primeiros cinco meses do ano US$ 597,6 milhões em vendas para o mercado português, um valor 66,7% acima do obtido em igual período de 2009.

No ano passado o Brasil exportou para Portugal US$ 1,27 bilhão, com uma queda de 25% face ao resultado do ano anterior. Na pauta das exportações brasileiras para o mercado luso é o petróleo que lidera, com uma participação de 47,9% no total das vendas (nos primeiros cinco meses do ano passado este item tinha um peso de 20,7%). Os grãos de soja, com participação de 12,5% na pauta, e o açúcar de cana, com 4,2%, são outros produtos no topo das vendas brasileiras para Portugal.