Historiadora brasileira prepara livro 'bem humorado' sobre D. Pedro em Paris

A historiadora brasileira Isabel Lustosa, autora do livro “D. Pedro I: um herói sem caráter”, prepara um novo volume sobre o monarca, baseado no período em que esteve a viver em Paris, antes do regresso a Portugal.
Admiradora confessa do primeiro Imperador do Brasil [D. Pedro IV de Portugal], a historiadora adiantou à agência Lusa que o livro vai tratar do período entre julho de 1831 - quando abdica do trono no Brasil em nome de seu filho, D. Pedro II - e janeiro 1832 - antes do regresso a Lisboa.
Segundo a historiadora, quando D. Pedro volta para recuperar a Coroa Portuguesa do irmão D. Miguel, a fim de a deixar à filha D. Maria, passa uma temporada na Inglaterra, mas, por não se sentir à vontade, decide ir viver para Paris.
“Na França ele se sentiu mais confortável, a mulher do rei francês [Luiz Felipe] era tia da primeira Imperatriz [D. Leopoldina] e havia um clima muito bom para a segunda imperatriz, D. Amélia, que era uma quase neta do Napoleão”, adianta a investigadora, cujo trabalho é baseado em relatos da imprensa francesa da época.
“Ele foi uma figura na moda, saía no jornal, era um sucesso tremendo. É isso que eu vou pegar, como é que a imprensa viu esse personagem exótico, um imperador que tinha vindo do Brasil e toda a imagem que se tinha do país naquela época”, explica.
Isabel participou no café literário “O Brasil pelo Avesso - mais ou menos verdadeiro?” ao lado do humorista Beto Silva, integrante do grupo “Casseta&Planeta”, e do jornalista Leandro Narloch, autor do “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” na 15ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro.
Na palestra, os autores defenderam o uso do humor como ferramenta de “humanização” dos personagens históricos e de aproximação dos grandes mitos ao público leitor.
“A gente não faz sátira, faz humor que é uma coisa muito mais amável. E isso humaniza os personagens”, opinou Lustosa, apoiada pelos demais.
“Houve na década de 1970 uma corrente da historiografia que foi para o lado contrário e tornou a coisa muito desinteressante, que é a tentativa de fazer a história sem personagens. Mas a biografia, os personagens, eles fazem parte também, e é muito importante que tenha gente na história”, acrescentou.
Para a escritora, as revisões historiográficas que estão a surgir nos últimos anos - como os livros '1808' e '1822', de Laurentino Gomes - são destinados ao grande público e não chegam a afetar os debates académicos entre Portugal e Brasil.
Isabel Lustosa estará em Portugal nos dias 13 e 14 de outubro para um seminário sobre a circulação transatlântica de impressos, na Universidade Nova de Lisboa.
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