Agenda luso-brasileira

Sob o título em epígrafe, escreve Miguel Setas, vice-presidente de Distribuição e Inovação da EDP no Brasil:
(...) Apesar da "ligação molecular" entre Portugal e Brasil, a relação comercial entre os dois países é modesta. O peso de Portugal nas importações brasileiras era de 0,2%, em 1990, e agora é de 0,35%, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior brasileiro.
De igual modo, em 1990, o mercado português representava cerca de 0,7% das exportações brasileiras e este ano vale 0,9%. Ou seja, nos últimos 20 anos não se registraram alterações estruturais na relação comercial entre os dois países. Apesar de tudo, os sinais são positivos - nos primeiros sete meses de 2011, registraram-se aumentos superiores a 50% das exportações de um país para o outro.
Um exemplo eloquente da oportunidade de aprofundamento de relações comerciais é o do vinho. Em 2010, Portugal foi o quarto maior país exportador dos vinhos comercializados no Brasil. Exportou oito milhões de litros contra 26 milhões de litros de vinho chileno, que permanece no topo da lista.
A participação dos vinhos chilenos no mercado brasileiro é três vezes superior à dos portugueses, apesar da produção portuguesa ser apenas 35% menor do que a chilena e da qualidade dos vinhos e castas portuguesas em nada ficarem devendo às dos chilenos.
Em 2012, vão celebrar-se conjuntamente os anos de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal. Estas comemorações, além de culturais, deveriam marcar o início de uma nova agenda luso-brasileira de relacionamento econômico e comercial.
O Brasil tem um mercado de quase 200 milhões de pessoas que interessa aos produtos portugueses e Portugal pode facilitar a entrada de produtos brasileiros no continente Europeu. Para além da genética e língua comuns, uma forte ligação econômica e comercial pode unir, ainda mais, os dois países.
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