3.11.11

Portugal e Brasil devem aprofundar a sua complementaridade - defende governador do Rio de Janeiro

O acentuado crescimento económico do Brasil nos últimos anos tem, não só criado oportunidades de investimento para empresas estrangeiras, mas também potenciado o desenvolvimento de sociedades brasileiras que, capitalizadas, procuram crescer para fora do país.

As afinidades com Portugal colocam o país como um parceiro privilegiado, num momento em que necessita de atrair investimento estrangeiro para potenciar o desenvolvimento económico.

Foi precisamente este o foco do discurso do governador do Rio de Janeiro, ontem, na conferência sobre "Oportunidades de Investimento no Brasil", organizada pelo jornal Diário Económico.

"As empresas brasileiras precisam de se expandir e Portugal é o porto mais seguro para entrada na Europa", afirmou Sérgio Cabral.
Uma expansão que pode passar, nomeadamente, pela criação de ‘joint-ventures' com empresas estrangeiras, acrescentou.

A atracção de investimento brasileiro para Portugal foi também destacada pelo ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. "Neste momento, é mais importante Portugal conseguir captar investimento brasileiro, porque eles têm as empresas capitalizadas", salientou o ministro,.


Na indústria naval, por exemplo, o Brasil já tem dificuldade em dar resposta à procura e parte da produção pode ser feita fora do país. De acordo com Sérgio Cabral, a lei obriga a que 65% dos navios sejam feitos no Brasil, o que deixa 35% para outras localizações. Numa altura em que o Governo português está a tentar recuperar a EDP e os estaleiros de Viana do Castelo poderá haver aí  uma oportunidade para captar algum investimento brasileiro.

Aprofundar união entre os dois países

A aproximação dos dois países tem sido sobretudo feita através dos investimentos de empresas portuguesas no Brasil. Um movimento que tem sido mais visível em sectores como o das telecomunicações e petrolífero, mas que o governador quer estimular também em outros segmentos, num momento em que o país, e o estado do Rio de Janeiro, se prepararam e transformam para receber uma mão cheia de eventos como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo de futebol.

"Pode haver uma complementaridade muito interessante entre Portugal e Brasil, tendo o Rio como palco", afirmou Sérgio Cabral, "temos de aprofundar isso, [...] de nos unir em torno da nossa identidade cultural". Por exemplo, nos sectores da indústria naval, metalurgia, engenharia, telecomunicações, serviços, turismo, "temos muito a complementar um ao outro", salientou o governador.

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