Há 400 anos: Martim Soares Moreno, Fundador do Ceará

Poucas pessoas - escreve a historiadora Ingrid Schwanborn - vão se lembrar desta data: 20 de janeiro de 1612.
Forte de São Sebastião
Mas ela merece ser retida, porque foi nesses dia, há exactos 400 anos, que o soldado português Martim Soares Moreno fundou o Forte de São Sebastião na Barra do Ceará, no lado direito do estuário do rio do mesmo nome. O forte foi construído naquele lugar para defender a costa do Brasil contra o inimigo número um, os piratas franceses, que devem ter tido a proteção do rei francês, Luiz XIII.
"No anno de 1612 fiz um forte de madeira com suas guaritas e casas de soldados, dentro, e sua Ermida onde se diz Missa, e onde estão 20 soldados alli deixei já 10 ou 11 cazados com Indias e Mamelucas com muitos filhos" (Moreno, em Studart, 197; em Peixoto, 56).
Os caminhos de Martim
Martim veio do Forte dos Reis Magos, no Rio Grande do Norte, ponto de apoio do jovem soldado, nascido em 1586 em Portugal e levado a Pernambuco por seu tio, o sargento-mor Diogo de Campos Moreno, autor da Jornada do Maranhão (Peixoto, 1941: 12). Já em 1611 foi nomeado capitão e, mais tarde, capitão-mor do Siará ou Seara, nome originado provavelmente dos índios tabajaras ou potiguaras cuja língua (tupi-) guarani o jovem Martim aprendeu durante e depois da primeira expedição a esta costa, na qual participou acompanhando o fidalgo Pero Coelho de Sousa, em 1603, para fundar um forte e uma cidade na foz do Rio Jaguaribe, tentativa fracassada.
Mais tarde, nas lutas contra os holandeses em Recife, Martim Soares foi conhecido como sendo o capitão português que melhor entendeu os índios e servia de interprete, pois em junho de 1631, veio com 200 deles para entrar nos combates falando fluentemente a língua deles, como relata Brito Freyre (1675: 204).
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